Tendências

O wellness aprendeu finalmente a divertir-se

Depois de anos a contar passos, calorias e horas de sono, o wellness começa a libertar-se da obsessão pela performance. A nova tendência recupera o prazer, o convívio e uma saudável margem para a imperfeição. Paris já se rendeu.

O wellness passou os últimos anos a vigiar-nos. Contou passos, horas de sono, picos de glicose, minutos de exposição ao frio e quase todas as falhas cometidas entre uma refeição e outra. Em 2026, a indústria começa a perceber que uma vida longa, mas passada a preencher dashboards, talvez não seja a recompensa prometida.

O Global Wellness Summit identifica uma reação à sobre-otimização entre as tendências decisivas do ano. A mudança troca a medição constante por experiências sensoriais, emocionais e sociais, recuperando duas palavras que a linguagem da performance quase expulsou: prazer e alegria. O cuidado pessoal deixa de exigir disciplina militar e uma coleção de aparelhos ligados ao corpo. Quer integrar-se na vida real, com música, convívio, comida e alguma margem para a imperfeição.

Paris oferece o cenário mais sugestivo desta viragem. A capital francesa, durante muito tempo desconfiada do wellness importado da Califórnia, aderiu aos banhos frios, ao Pilates, às massagens linfáticas e aos clubes de corrida, mas adaptou-os ao seu próprio código. O resultado privilegia o ambiente, a estética e o prazer, sem obrigar ninguém a renunciar ao jantar depois do treino.

Aberto em março diante dos Jardins das Tulherias, o Sant Roch tornou-se um dos símbolos da nova cultura. O espaço de 400 metros quadrados reúne uma sauna de 60 metros quadrados, cinco piscinas frias e rituais coletivos que combinam respiração, som, meditação e movimento. Mais de 4500 pessoas passaram pelo clube no primeiro mês, com uma taxa de ocupação superior a 85 por cento.

Outros espaços parisienses aproximam treino, restauração, trabalho e comunidade, transformando o wellness numa espécie de terceiro lugar entre a casa e o escritório. A promessa já não consiste em corrigir o corpo até à exaustão, mas em encontrar formas mais agradáveis de cuidar dele.

O bar não desapareceu. Ganhou sauna, água gelada e um menu de mocktails. Talvez a verdadeira tendência seja mesmo viver melhor sem fazer da saúde um emprego a tempo inteiro.