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Dubai legisla o futuro da longevidade

O Dubai criou uma autoridade pública dedicada à longevidade, ao wellness e à saúde avançada. O objetivo é regular o setor e transformar o emirado na sua capital mundial.

O Dubai gosta de chegar primeiro e, desta vez, decidiu colocar a longevidade na lei. Em de junho de 2026, o sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum aprovou a criação da Dubai Longevity Authority, uma entidade pública concebida para regular e desenvolver um setor onde a ciência séria convive, nem sempre pacificamente, com promessas difíceis de medir.

A nova autoridade ficará sob a presidência do príncipe herdeiro, o sheik Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, enquanto Helal Saeed Almarri, diretor-geral do Departamento de Economia e Turismo do Dubai, assume a presidência do conselho. A escolha revela a amplitude do projeto: saúde, investimento, turismo e captação de talento internacional entram na mesma arquitetura.

O mandato acompanha toda a cadeia de valor, da investigação e dos ensaios clínicos à produção, distribuição e prestação de cuidados. Terapias, produtos e serviços ligados à longevidade deverão ser licenciados e supervisionados segundo um modelo que o emirado define como científico e proporcional ao risco. Tendo em conta que atualmente a palavra “longevidade” já serve para vender suplementos, infusões intravenosas, testes genéticos e programas de biohacking, a criação de regras poderá ser tão importante como a própria inovação.

A iniciativa integra as agendas económica e social do Dubai, que ambicionam colocar a cidade entre as melhores do mundo em qualidade de vida e esperança de vida saudável. Repete também uma fórmula que o emirado conhece bem: identificar um setor emergente, construir-lhe uma estrutura regulatória e abrir a porta ao capital.

A grande questão surgirá depois do anúncio. Conseguirá o Dubai criar um padrão de confiança internacional ou tornar-se-á um destino permissivo para terapias ainda experimentais? A resposta dependerá da transparência dos critérios, da supervisão clínica e da capacidade de distinguir progresso de espetáculo. Pela primeira vez, uma cidade trata a longevidade não apenas como tendência de wellness, mas como política económica e assunto de Estado. Mais se seguirão?